Como todo cinéfilo, estou sempre procurando enredos de filmes que agucem minha curiosidade e ao mesmo tempo tenham “moral de história”. Pensando nesta ideia, me interessei em assistir alguns filmes sobre política, até para aprender mais sobre o assunto e em quais ambientes/situações podemos ver a política e sua dinâmica. Abaixo, indico alguns filmes que valem a pena serem assistidos e estão disponíveis no Youtube.

Este texto é um artigo de opinião que foi escrito por uma redatora voluntária do Politize!, a Marli Mendes.

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Filmes nacionais sobre política

Entre os filmes brasileiros, foram resumidos dois: o filme “Privatizações”, de Sílvio Tendler e o filme “Getúlio”, de João Jardim.

 

Privatizações – a distopia do capital (Sílvio Tendler) – 2014

O filme trata das privatizações na década de 1990, que chegam ao Brasil junto com a ascensão do neoliberalismo mundial.

Mas o que é o neoliberalismo? (entenda na videoaula!)

Em linhas gerais, são ideias políticas e econômicas que defendem a não participação do estado na economia e a liberdade total de comércio, para garantir o crescimento econômico e o desenvolvimento social do país. Iniciado no Governo Fernando Collor, o neoliberalismo teve continuidade na gestão do Presidente Fernando Henrique Cardoso.O diretor Silvio Tendler conta com a participação de vários intelectuais, professores e líderes de sindicatos para explanar a lógica do capitalismo no processo de privatização e da desconstrução da política que era implementada até então, iniciada pelo Governo de Vargas, de estatização de empresas.O filme se constrói em uma série de entrevistas demonstrando como as privatizações contribuíram para desestatizar (tirar da tutela do Estado) os serviços brasileiros, gerando apagões, crises e desemprego.Faz comparação com a crise de 2008, que eclodiu nos Estados Unidos e repercutiu no mundo inteiro, além de abordar também a economia europeia. Defende a ideia de que os partidos da esquerda desenvolvam um projeto de nação para organizar a economia e estimular a pressão popular para mudanças significativas na política econômica.Fora isso, o filme argumenta que antes das privatizações estava posto um Estado voltado ao interesse do trabalhador e não da burguesia, um Estado plural e não excludente. Este filme é enfático em seu posicionamento contra o neoliberalismo.
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Getúlio (João Jardim) – 2014

O filme relata as intrigas da Presidência da República e as entranhas do poder nos últimos 19 dias de vida de Getúlio, mostrando as conspirações e tramas nos bastidores para que o presidente seja deposto ou renuncie. Getúlio foi um ditador confesso, admite no filme ter rasgado duas Constituições enquanto esteve no comando, com o objetivo de se manter no poder.  Mas, apesar de ter sido um ditador, voltou à presidência novamente por voto democrático.

O filme mostra muito do que vivemos hoje na política brasileira, expondo que o hábito das negociatas, lobby, conchavos, chantagem, alianças ilícitas vêm de muitos anos e não acontecem somente na atualidade.

Getúlio é um filme que deve ser visto, seja para conhecer um pouco melhor a história da política do Brasil ou para conferir o homem por trás do presidente interpretado por Tony Ramos.

 

Filmes internacionais sobre política

Fugindo um pouco da filmografia brasileira, separamos dicas de 4 filmes internacionais que mostram como a política pode estar inserida nos mais diversos níveis e ambientes. A Onda (alemão), O capital (francês), Tudo pelo poder (estadunidense) e por último, O Quinto Poder, também feito nos Estados Unidos.

 

A Onda Die Welle (Dennis Gansel) – 2011

Este filme, inspirado no livro de mesmo nome (A Onda),  expõe uma história baseada em fatos reais ocorrida na Alemanha. A trama se inicia quando o Professor Rainer Wenger, simpatizante do anarquismo, é direcionado a assumir as aulas sobre autocracia – ideologia que significa poder ilimitado e absoluto – para alunos do ensino médio. A história se desenrola a partir de uma pergunta: É possível instituir um regime totalitário na Alemanha?

Percebendo o descrédito dos alunos, usou de sua criatividade e didática para envolvê-los em um exercício de autocracia, para que entendessem como esta ideologia se forma,  pelo período de uma semana.

Neste exercício pedagógico, mostrou na prática como se dá a manipulação ideológica de um conjunto de jovens que seguem uma liderança forte, no caso, o professor. Durante este exercício criou-se um movimento unificador com participação entusiástica dos alunos, com símbolos, uniforme, saudações e preconceitos em relação aos alunos que não aderiram ao movimento.

A força da iniciativa cresce rapidamente e se espalha pela cidade, com o grupo de alunos agindo como uma gangue, fazendo prevalecer os conceitos de nação e raça sobre os valores individuais, tornando-se um modelo do fascismo, ou seja,  submetendo outros alunos a um forte controle ditatorial.

Fica bem claro que, por se tratar de um público de adolescentes, o grupo torna-se mais influenciável pela figura do professor como líder e formador de opinião. Merecem destaque também aspectos psicológicos, pois alunos que possuíam menos atenção familiar acabaram por ter a figura do professor e as teorias pregadas em sala de aula como verdades absolutas e que deveriam ser seguidas.

O filme mostra como a massa pode ser manipulada e como uma ideologia mal-orientada e extremista pode causar estragos, principalmente numa juventude que ainda está em formação, com problemas de identidade e em processo de formação de personalidade.

 

O Capital (Costa Gravas) – 2012

O filme é iniciado com a frase: “O dinheiro é um cão que não pede carinho. Lance a bola o mais longe possível e ele o traz indefinidamente.”

Ele é uma leitura esmiuçada sobre aspectos do neoliberalismo: o enredo acontece durante o clima de crise europeia, que começou em 2008 em decorrência da crise econômica da bolha imobiliária nos EUA, e retrata o poder político, o complexo modelo reestruturado do capitalismo e a selvageria social e financeira causada por ele.

Marc Tourneuil (Gad Elmaleh), o protagonista, é um escritor e homem de confiança do então presidente do banco Phoenix, que morre em função de um câncer de próstata. Após seu falecimento, Marc é promovido pelo conselho à Presidência do banco temporariamente, mas age nos bastidores para se manter no controle da instituição. No decorrer do filme, vemos a sua rápida ascensão e, em contrapartida, seu declínio moral movido pela ganância e suas escolhas para se manter no poder.

Sua ambição se encaixa nos moldes das teorias de Maquiavel pelo poder e dinheiro, é uma tentativa de obter respeito dos seus pares, devido à sua crença de que quanto menor o salário, menor o respeito. Esta característica do personagem demonstra a importância do dinheiro na sociedade de consumo. Realizam demissões em massa com o intuito de aumentar os lucros do banco, colocando em risco as políticas sociais adotadas pela instituição, caracterizando a completa inversão de valores nas ações, ou seja, desrespeito à ética e às políticas internas do banco.

Durante todo o filme percebe-se muita manipulação, a forte presença do lobby, deslealdade, conflitos de interesses, espionagem, divulgação de informações privilegiadas, traições, ou seja, o submundo dos negócios e da política.

 

Tudo pelo Poder (George Clooney) – 2011

 O filme retrata os bastidores da campanha para presidente dos Estados Unidos. O personagem Mike Morris, interpretado por George Clooney, é um dos candidatos desta corrida presidencial e tem em seu staff de campanha um jovem idealista, apaixonado por política e um dos melhores assessores de imprensa do país, Stephen Myers , interpretado por Ryan Gosling.

Durante esta briga para definir quem sairá candidato, o staff dos candidatos trava um intenso jogo de poder, no qual a sujeira é exposta nos noticiários. O candidato Morris é um homem de excelente discurso e uma aparente postura incorruptível, que se recusa a fazer alianças com senadores e delegados de moral duvidosa, em troca de influência política. Postura esta que contrasta com o que se vê no desenrolar do filme, que expõe as verdades do jogo político.

O temor, a traição e a tentativa de encobrir qualquer ato falho do passado fazem de Morris um refém de seu assessor de imprensa que se torna o verdadeiro protagonista do filme. Traição entre assessores, jogo de ego, status social, favores cedidos, corrupção, tráfico de influência, chantagem e falsidade ideológica; tudo isso expõe as sujeiras dos bastidores das campanhas políticas.

 

O Quinto Poder (Bill Condon) – 2013

Retrata a forma como as informações e notícias fluem no século 21, permitindo ao cidadão ter o direito à informação. Os hackers Julian Assange e seu colega Daniel invadem sites dos governos do mundo todo e expõem informações sigilosas de forma escancarada nas redes.

Gradativamente, o longa mostra como as informações disponibilizadas no site Wikileaks repercutiram no mundo. Vazamentos de informações privilegiadas que envolveram conflitos de guerra do Afeganistão, Iraque, correspondências das embaixadas e dos Estados Unidos, são mostrados no filme.

Com o crescimento do site, grandes jornais americanos começaram a ouvir o Wikileaks e passaram a dar visibilidade a mais vazamentos de informações privilegiadas.

Embora a intenção de Assange, em sua visão, era a de informar o cidadão de forma mais completa possível, a forma como expunha no site colocava em risco a vida e a integridade física de algumas pessoas.

As informações publicadas no Wikileaks conseguiram expor ao mundo os bastidores de muitos países, conversas sigilosas, questões diplomáticas que causaram crises e mudanças em resultados de eleições. O filme nos instiga à  reflexão sobre qual a melhor forma de compartilhar informações com o público, a partir do momento em que se está em posse delas, a fim de evitar tantos danos colaterais.

Assistindo a essa sequência sugerida, notei que a política e sua dinâmica, tanto no ambiente público (empresas públicas, partidos políticos), quanto no ambiente privado (empresas/escolas) são parecidas.

Pude aprender de forma leve e didática sobre autocracia, com o filme “A Onda”, conhecer fatos ocorridos no Governo de Getúlio Vargas, que faz parte de nossa história. Relembrar fatos históricos dos anos 90 sobre as privatizações e refletir sobre seus benefícios ou prejuízos para a sociedade e a economia do país. Entender a dimensão do impacto que as ações do Julian Assange causaram no mundo, no filme Wikileaks.

O que você acha? Que tal aproveitar o fim de semana, chamar os amigos e fazer uma maratona com essas dicas de filmes?