Passei os dois primeiros anos do Ensino Médio estudando MUITO. Meus professores falavam sobre a Fuvest o tempo todo e nosso material didático era todo voltado para o vestibular. Todas as atividades sociais de que me lembro envolviam os estudos – ou eram tardes no laboratório da escola desenvolvendo projetos, ou eram reuniões na minha casa para resolver exercícios.

Mas a coisa mudou no terceiro ano, quando precisei trocar de escola. Ali eu estava solitária em busca de uma vaga em uma universidade pública, os professores não davam aula, o material didático era ruim e ainda não existia a Geekie para me ajudar. Eu perdi o ritmo e desanimei. Quando chegou o dia do vestibular (que eu estava prestando pela primeira vez), consegui passar para a segunda fase, mas não fui aprovada. Teria de me preparar por mais um ano.

O plano para a aprovação

Eu já tinha uma noção do que havia feito de errado e das coisas em que precisava trabalhar, mas precisava de um plano mais concreto. Então achei que a coisa mais sensata a se fazer era uma autoanálise bem franca e detalhada. Comecei listando (é legal fazer esse tipo de coisa por escrito para que você possa consultar ou alterar depois) os erros que havia cometido durante a preparação para o vestibular e durante as provas, e tudo aquilo que sabia que precisava melhorar. Em outras palavras, essa era a lista dos meus pontos fracos, e tinha coisas como estas:

Pontos fracos (2)

Também listei o que havia feito de correto e as matérias que eu já dominava. Isso me ajudaria a saber as práticas que eu deveria continuar e as disciplinas em que não precisaria prestar tanta atenção para o próximo vestibular. Ficou mais ou menos assim:

Pontos fracos (3)

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Com isso pronto, parti para o plano de ação. Preservei as práticas que deram certo no ano anterior (como a rotina de leitura diária de notícias) e procurei formas de consertar aquilo que não havia dado bons resultados, além de acrescentar outras coisas que achasse necessárias.

Saber em quais matérias eu mando bem, por exemplo, me fez diminuir o tempo de estudos que dedicaria a elas, mas sem deixá-las de lado: meu foco, nesse caso, seria nas questões dissertativas, formato com o qual havia tido dificuldade na hora da prova. Isso também me daria mais tempo para dedicar ao estudo de química e física, que também foram pontos críticos no ano anterior.

Para garantir que conseguiria ler pelo menos a maioria das obras literárias obrigatórias para a prova (vestibulares como a Fuvest, Unesp e Unicamp exigem a leitura de alguns livros), incluí na minha programação ler um pouco todos os dias, antes de dormir. Para evitar que eu me atrapalhasse durante a prova, também planejei fazer vários simulados durante o ano. Assim, além de treinar a resolução de exercícios parecidos com os que seriam cobrados na prova, também pude trabalhar na administração do tempo e na minha resistência física e emocional.

Mas alguns itens da minha lista de pontos fracos não necessariamente requeriam uma ação para consertá-los, mas apenas um esforço para me adaptar a eles. Foi o caso com a minha dificuldade de acordar cedo. Se fazer isso é algo tão difícil para mim e se eu me dou bem estudando até tarde, talvez eu simplesmente não seja uma “pessoa matutina”. Optei por fazer o cursinho à noite para respeitar esse meu ritmo, e concentrei os estudos em casa na parte da tarde.

Devo dizer que tudo isso não só me ajudou a passar no vestibular – eu estava prestando Jornalismo na USP, na época um dos cursos mais concorridos –, mas foi um passo importante para que eu começasse o ano animada e focada.

Por isso, queremos propor a você identificar suas forças e fraquezas. A ideia por trás disso é uma só: o autoconhecimento. Não queremos cair na autoajuda nem nada, mas, de uma forma bem prática, se conhecer, com seus pontos fortes e fracos, é fundamental para qualquer jornada que você decidir empreender. Só assim você vai poder criar um plano eficiente e realista que o ajude a chegar lá. No caso do vestibular, isso vai lhe permitir criar um plano de estudos e uma estratégia eficiente para manter a calma tanto nos meses que antecedem a prova, quanto na hora H. Bora fazer as listinhas?