Fazer uma redação nota 1000 para o Enem não é fácil. Apenas 53 candidatos atingiram esse resultado em 2017. Já em 2016 77 redações atingiram a pontuação máxima.

Separamos várias dicas para você escrever uma redação nota 1000 no Enem desse ano!

Veja uma lista de conectivos para melhorar a coesão, aprenda também a fazer uma ótima proposta de intervenção e a desenvolver seu texto. Veja os exemplos de redações que tiraram a nota máxima e treine com a apostila de redação que fizemos.

Saiba mais: O que cai no Enem? Resumo das competências e habilidades

8 Dicas para fazer uma redação nota 1000

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Estudar Redação

A redação do Enem é um texto dissertativo-argumentativo. Ele precisa ter introdução, desenvolvimento e conclusão muito bem definidos. Explicamos o que são no passo a passo para fazer uma boa redação.

Este tipo de texto tem características muito diferentes da dissertação expositiva e de outros gêneros que aparecem em vestibulares. Leia a apostila para conhecer saber como escrever uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão.

Os avaliadores consideram cinco critérios de correção. Muitas vezes, a gente se preocupa em conhecer o tema da redação antes do dia da prova e decorar argumentos e citações. Mas compreender, estudar e praticar a estrutura da dissertação argumentativa é muito mais importante.

As informações, fatos e opiniões que formam os argumentos são importantes para os seus pontos, porém não são os únicos elementos avaliados! E você deve dedicar um tempo para interpretar o tema da redação na prova.

Cada redação é corrigida em dois a três minutos em média. E um avaliador lê cerca de 74 redações do Enem por dia. Por isso, é fundamental escrever um texto facilmente compreensível.

Então vamos às dicas:

1. Tenha cuidado com o tamanho da letra

A caligrafia é o primeiro contato que o avaliador tem com a sua redação. Caligrafias pequenas permitem escrever mais palavras e dão mais espaço para argumentar. Letras maiores não deixam você desenvolver a redação dentro do limite de 30 linhas.

Olhe o exemplo na imagem abaixo. Com letras grandes, deu para escrever quatro palavras em uma linha. Reduzindo a caligrafia, cabem oito palavras. Quem escreve com letra inclinada perde ainda mais espaço nas linhas.

redação nota 1000

Se a sua letra não é legível, faça exercícios de caligrafia. Ah, também existem práticas específicas para melhorar a caligrafia inclinada.

2. Escreva 4 a 5 parágrafos com 4 a 5 linhas cada

Lembre que o limite para para escrever a redação são 30 linhas. Você deve escrever 4 a 5 parágrafos que tenham tamanho parecido entre si. Assim, um texto com 5 parágrafos contendo 5 linhas cada vai ter 25 linhas ao todo.

Se houver título, terá praticamente o limite de 30 linhas.

Se não conseguir concluir as ideias, faça um quinto parágrafo, mas planeje-se para não precisar dele. Utilize um limite mental de 4 linhas por parágrafo, para não fazer um texto muito extenso e ficar sem espaço.

Baixe a apostila de redação para aprender mais sobre a estrutura de uma dissertação. É só preencher o cadastro, que ela será enviada para o seu e-mail.









3. Não escreva na 1ª pessoa do plural (Ex: “somos ensinados a…”)

A dissertação é um texto impessoal, então não escreva na 1ª pessoa do singular (ex: “sou ensinado a…”). Esta é uma das primeiras coisas que ouvimos sobre dissertações.

Usar a 1ª pessoa do plural não é fugir totalmente do gênero dissertativo-argumentativo, mas faz você perder pontos.

Faça uma revisão da conjugação dos verbos quando terminar de escrever. Em vez de optar pelo uso da primeira pessoa do plural, experimente substantivos como:

  • pessoas
  • sujeitos
  • cidadãos
  • indivíduos
  • seres humanos
  • brasileiros
  • crianças, adultos e idosos

Colocando em prática:

Leia a seguinte oração e reescreva-a utilizando a 3ª pessoa do singular:

“Somos ensinados a ler e a escrever quando crianças”.

Além de substituir a 1ª pessoa do plural pela 3ª do singular, pratique o uso do particípio e da indeterminação do sujeito.

Importante: Tenha atenção para não se envolver pessoalmente com o tema, principalmente quando escolher argumentar um posicionamento com o qual você concorda na vida real.

Leia também: Como passar no vestibular

4. Fique por dentro das atualidades

Conhecer as principais notícias e temas em debate no Brasil é útil para selecionar fatos, opiniões e definir o posicionamento do texto. Esse conhecimento também tem utilidade na hora de escrever a proposta de intervenção.

Quanto mais detalhada e sugestão de solução para o problema abordado, melhor. (Desde que você considere o pequeno limite de linhas.)

Leia algumas atualidades aqui no blog e veja a videoaula completa sobre os principais assuntos que aconteceram nesse ano.

5. Conheça e respeite os direitos humanos

Desde 2017, as redações que desrespeitem os Direitos Humanos não são anuladas, porém, elas perdem pontuação na 5º Competência cobrada que é:

“Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos”

Ou seja, para não perder pontos é importante que você conheça os Direitos Humanos. Inclusive, você pode citá-los em sua redação caso seja pertinente.

Tais direitos são universais, ou seja, precisam ser assegurados para todas as pessoas. De maneira resumida, eles garantem condições de dignidade para com relação à vida, à política, à economia, à sociedade e à cultura de todas as pessoas.

Declaração Universal dos Direitos Humanos (leia o arquivo aqui) não é uma lei, porém é um documento que garante a proteção dos direitos e tem grande influência em constituições e tratados mundiais.

Leia a cartilha de redação do Enem 2018.

Leia mais: Resumo sobre tipos de textos

6. Utilize porcentagens nos gráficos dos textos de apoio

Frequentemente os textos de apoio à redação são gráficos ou tabelas. Escolha dados relevantes e encontre relações entre eles. Houve aumento ou diminuição naquele período de tempo? A diferença foi de quantos pontos percentuais?

Assim você demonstra que tem habilidade com a interpretação de textos e com a leitura de gráficos e tabelas. Não desanime se você tiver dificuldades para interpretar os números. Tem uma aula gratuita te esperando para você dominar gráficos e tabelas. 😉

7. Escreva uma proposta de intervenção completa

A proposta de intervenção recebe 200 pontos (a nota máxima) quando é bem detalhada, relacionada ao tema e à argumentação da redação.

Para isso, você deve apresentar uma solução prática, que não seja muito vaga. E também factível, ou seja, que considere o contexto econômico, social e cultural da atualidade.

Indique um órgão público para colocar a solução em prática. Ele pertenceria ao poder executivo, legislativo ou judiciário? À esfera federal, estadual ou municipal? Proponha também quais atividades seriam desenvolvidas, onde e como.

8. Utilize conectivos diferentes

Conjunções e preposições conectam as partes do texto e dão coesão a eles. O uso errado de conectivos pode gerar falta de coerência.

Isso reduz a nota no terceiro critério de correção, que analisa a organização das ideias em defesa de um ponto de vista.

E também na quarta competência, que avalia o conhecimento dos mecanismos linguísticos para a argumentação. Entenda o significado dos conectivos nas orações coordenadas.

Depois de entender a função dos conectivos e quando utilizá-los, memorize alguns. Faça um esforço para não repetir o conectivo, utilizando sinônimos.

redação nota 1000 - use muitos conectivos

Exemplos de redação nota 1000 do Enem 2017

Leia os temas anteriores das redações

1º exemplo de redação nota 1000 de 2017

“Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana dos deficientes auditivos brasileiros, os quais buscam ultrapassar as barreiras as quais os separam do direito à educação. Nesse contexto, não há dúvidas de que a formação educacional de surdos é um desafio no Brasil o qual ocorre, infelizmente, devido não só à negligência governamental, mas também ao preconceito da sociedade.

A Constituição cidadã de 1988 garante educação inclusiva de qualidade aos deficientes, todavia o Poder Executivo não efetiva esse direito. Consoante Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo se verifica que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil à medida que a oferta não apenas da educação inclusiva, como também da preparação do número suficiente de professores especializados no cuidado com surdos não está presente em todo o território nacional, fazendo os direitos permanecerem no papel.

Outrossim, o preconceito da sociedade ainda é um grande impasse à permanência dos deficientes auditivos nas escolas. Tristemente, a existência da discriminação contra surdos é reflexo da valorização dos padrões criados pela consciência coletiva. No entanto, segundo o pensador e ativista francês Michel Foucault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres do que pensam para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Assim, uma mudança nos valores da sociedade é fundamental para transpor as barreiras à formação educacional de surdos.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Cabe ao Ministério da Educação criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas o qual promova palestras, apresentações artísticas e atividades lúdicas a respeito do cotidiano e dos direitos dos surdos. – uma vez que ações culturais coletivas têm imenso poder transformador – a fim de que a comunidade escolar e a sociedade no geral – por conseguinte – conscientizem-se. Desse modo, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros vencerão o desafio de Zeus.”

2º exemplo de redação nota 1000 de 2017

“Na obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, o realista Machado de Assis expõe, por meio da repulsa do personagem principal em relação à deficiência física (ela era “coxa), a maneira como a sociedade brasileira trata os deficientes. Atualmente, mesmo após avanços nos direitos desses cidadãos, a situação de exclusão e preconceito permanece e se reflete na precária condição da educação ofertada aos surdos no País, a qual é responsável pela dificuldade de inserção social desse grupo, especialmente no ramo laboral.

Convém ressaltar, a princípio, que a má formação socioeducacional do brasileiro é um fator determinante para a permanência da precariedade da educação para deficientes auditivos no País, uma vez que os governantes respondem aos anseios sociais e grande parte da população não exige uma educação inclusiva por não necessitar dela.

Isso, consoante ao pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca, ocorre porque a educação básica é deficitária e pouco prepara cidadãos no que tange aos respeito às diferenças. Tal fato se reflete nos ínfimos investimentos governamentais em capacitação profissional e em melhor estrutura física, medidas que tornariam o ambiente escolar mais inclusivo para os surdos.

Em consequência disso, os deficientes auditivos encontram inúmeras dificuldades em variados âmbitos de suas vidas. Um exemplo disso é a difícil inserção dos surdos no mercado de trabalho, devido à precária educação recebida por eles e ao preconceito intrínseco à sociedade brasileira. Essa conjuntura, de acordo com as ideias do contratrualista Johm Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que tais cidadãos gozem de direitos imprescindíveis (como direito à educação de qualidade) para a manutenção da igualdade entre os membros da sociedade, o que expõe os surdos a uma condição de ainda maior exclusão e desrespeito.

Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que a Escola promova a formação de cidadãos que respeitem às diferenças e valorizem a inclusão, por intermédio de palestras, debates e trabalhos em grupo, que envolvam a família, a respeito desse tema, visando a ampliar o contato entre a comunidade escolar e as várias formas de deficiência.

Além disso, é imprescindível que o Poder Público destine maiores investimentos à capacitação de profissionais da educação especializados no ensino inclusivo e às melhorias estruturais nas escolas, com o objetivo de oferecer aos surdos uma formação mais eficaz. Ademais, cabe também ao Estado incentivar a contratação de deficientes por empresas privadas, por meio de subsídios e Parcerias Público-Privadas, objetivando a ampliar a participação desse grupo social no mercado de trabalho. Dessa forma, será possível reverter um passado de preconceito e exclusão, narrado por Machado de Assis e ofertar condições de educação mais justas a esses cidadãos.”

Textos disponíveis no Portal G1

Esperamos que as dicas ajudem a melhorar a sua escrita e a chegar mais perto de fazer uma redação nota 1000 no Enem. 👊🏽