A terceira competência avaliada pela correção do Enem analisa a relação entre fatos, informações, argumentos e opiniões. Conhecer pensamentos de pessoas de autoridade ajuda a ter uma boa nota nesta competência. Leia a seguir 11 citações que podem ser usadas para a redação. Elas foram ditas por filósofos, sociólogos, psicólogos e educadores.

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11 citações para redação

Mencionar um argumento de autoridade, proveniente de alguém com reconhecimento no assunto, mostra o seu repertório cultural sobre o tema. Não se preocupe em decorar literalmente as citações, mas sim entender a ideia abordada pelo pensador.

Conheça algumas ideias para mencionar na dissertação com o vídeo do Pietro sobre citações para redação:

1. Heráclito de Éfeso

Nada é permanente, salvo a mudança.” (Heráclito de Éfeso)

Heráclito (em torno de 535 a.C. – 475 a.C) foi filósofo pré-socrático na Antiguidade grega. Para ele, a oposição entre os contrários origina a mudança, que é a harmonia dos contrários. Essa ideia é a precursora da dialética.

Tudo está em constante mudança, inclusive o ato de pensar. Por isso, não seria possível entrar em um mesmo rio duas vezes. Na segunda vez, o rio teria se transformado em outro, e a pessoa também.

>> Entenda o pensamento de Heráclito na aula sobre Teoria do Conhecimento.

2. Sócrates de Platão

Só sei que nada sei” (Apologia de Sócrates, Platão, 1999)

Sócrates (469 a.C. – 399 a.C.) foi o maior filósofo grego na Antiguidade. Ele próprio não escreveu nenhuma obra sobre as suas ideias. O principal autor que registrou Sócrates foi Platão.

O filósofo foi caracterizado pela busca da verdade, a qual seria estável, imutável e universal (diferentemente da opinião). Sócrates se reconhecia ignorante. Este reconhecimento seria o início para procurar a verdade, sendo que para o autor, não se sabe aquilo o que se pensa saber.

Através dos diálogos de Sócrates, ou seja, da conversa entre duas ou mais pessoas, a ideia nasce. Assim, talvez seja encontrada a sua essência, o conhecimento.

>> Saiba mais sobre os pensamentos de Sócrates na aula.

3. Freud

A influência dos pais governa a criança, concedendo-lhe provas de amor e ameaçando com castigos, os quais, para a criança, são sinais de perda do amor e se farão temer por essa mesma causa. Essa ansiedade realística é a precursora da ansiedade moral subsequente.” (Novas Conferências sobre a Psicanálise, Sigmund Freud, 1933)

A psicanálise de Freud (1856-1939) estuda os efeitos daquilo o que se viveu antes na vida. As experiências vividas na infância, desde o nascimento, influenciam o comportamento da pessoa em toda a vida.

Os pensamentos desse psicanalista podem ser utilizados para justificar a importância do cuidado com a infância. Medidas como o aumento da licença maternidade e paternidade e melhorias na infraestrutura e formação dos funcionários nas escolas e creches adquirem força sob os pensamentos dele.

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4. Agnes Heller

“Crer em preconceitos é cômodo porque nos protege de conflitos, porque confirma nossas ações anteriores.” (O cotidiano e a história, Heller, 2000) 

Para Agnes Heller (1929-hoje), o preconceito é um fator de coesão (integração) social. Sua função é manter a estabilidade da integração do grupo. Geralmente ele tem origem nas classes dominantes.

Quando a coesão social está ameaçada (por exemplo, em uma crise econômica), o preconceito pode se intensificar espontaneamente.

Coloque em prática: temas de redação.

 

 

5. Paulo Freire

“Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.” (Pedagogia do Oprimido, Paulo Freire, 1981)

Paulo Freire (1921-1997) dizia que ninguém aprende sozinho, mas também ninguém é ensinado alguma coisa. Assim, os educadores devem levar conhecimento para os outros, para que eles aprendam à sua maneira, com base na experiência que tiveram com o mundo.

Freire valorizou a cultura do aluno. Os alunos que chegam a uma sala de aula pela primeira vez tem uma bagagem cultural própria. Assim, os professores também aprendem com os alunos.

O educador defendia uma educação para a interpretação do mundo. Na visão dele, a leitura do mundo acontece antes da leitura da palavra. Por isso, a compreensão da leitura (no sentido literal) não ocorre na ausência da leitura do mundo.

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6. Jean Piaget

O principal objetivo da educação é criar pessoas capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir o que outras gerações fizeram.(O juízo moral na criança, Jean Piaget, 1994)

Para o psicólogo Piaget (1896-1980), a aprendizagem é um processo ativo e personalizado. Por esse motivo, ele não pode ser compreendido e medido por testes de inteligência.

O intelecto está em evolução e passa por quatro estágios de desenvolvimento. Essas fases acontecem em sequência, mas cada pessoa tem um tempo próprio para se desenvolver.

Os pensamentos desse psicólogo foram importantes para transformar a educação numa época em que as crianças eram ensinadas a ter comportamentos e pensamentos de adultos. Assim, os professores passaram a considerar as capacidades individuais das crianças no aprendizado.

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7. George Santayana

Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo” (A vida da razão, George Santayana, 1905)

Para o filósofo Santayana (1863-1952), reter os acontecimentos passados é importante para o progresso. Não se deve criar algo completamente novo, mas considerar o que aconteceu no passado.

A citação acima é útil para ressaltar a importância de algum fato histórico mencionado na dissertação.

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8. Zygmunt Bauman 

Nós somos responsáveis pelo outro, estando atento a isto ou não, desejando ou não, torcendo positivamente ou indo contra, pela simples razão de que, em nosso mundo globalizado, tudo o que fazemos (ou deixamos de fazer) tem impacto na vida de todo mundo e tudo o que as pessoas fazem (ou se privam de fazer) acaba afetando nossas vidas.” (Modernidade Líquida, Bauman, 2001)

Bauman (1925-2017) foi um grande sociólogo polonês sobre a Modernidade atual e escreveu até 2017, ano em que faleceu. O autor criou o termo “Modernidade Líquida“.

Líquidos são extremamente fluidos, voláteis e cada gota influencia o conjunto. Assim, eles se transformam com rapidez. Existem líquidos mais pesados que sólidos, apesar da aparência de leveza. Essas são algumas justificativas para a liquidez ser uma metáfora que descreve a Pós-Modernidade. Antes deste período, as mudanças ocorriam com lentidão e maior previsibilidade.

9. Hannah Arendt

O poder nunca é propriedade de um indivíduo; pertence a um grupo e existe somente enquanto o grupo se conserva unido.” (Hannah Arendt)

Para Arendt (1906-1975), o poder vem de baixo para cima, e não existe sem o consentimento do povo. Ela diz que a igualdade de direitos (isonomia), e a faculdade de agir (de manifestar as suas opiniões), são necessárias para o poder existir. Assim, o povo é representado pelo poder. O silêncio é relacionado à violência.

A filósofa, diferentemente de autores como Max Weber, afirma que violência e o poder são opostos. Desta forma, sociedades muito violentas não tem poder.

A violência é um instrumento (não é fim em si mesma) e precisa de justificativa para ser empregada.

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10. Dahrendorf

A anomia é uma condição social onde as normas reguladoras do comportamento das pessoas perderam sua validade.” (O caminho para anomia, Dahrendorf, 1929)

Dahrendorf (1929-2009) define a anomia, uma negação da ordem que existe quando as normas não funcionam. Portanto, o poder desaparece. Ela gera um medo constante e impede a liberdade, à medida que o Estado é incapaz de dar segurança.

Um dos sinais de um Estado em anomia são a ausência de punições de pequenas infrações (como o furto de um copo no bar). Há também a tolerância para criminalidade de jovens. Outro sinal é a desorientação na distribuição de sanções penais (como a prisão de manifestantes, e a liberdade daqueles que cometem crimes de alta gravidade), e a existência zonas de exclusão (regiões perigosas, que são evitadas nas cidades).

Na anomia, as vítimas não comunicam os crimes pela falta de crença no poder do Estado, segundo o sociólogo.

11. Max Weber

“O Estado consiste em uma relação de dominação do homem sobre o homem, fundada no instrumento da violência legítima (isto é, da violência considerada como legítima). O Estado só pode existir, portanto, sob condição de que os homens dominados se submetam à autoridade continuamente reivindicada pelos dominadores.” (Ciência e Política: Duas vocações, Weber, 1967)

Weber (1864-1920) define o Estado pelo uso da coação física. O Estado possui o monopólio do uso legítimo da violência, isto é, ela não pode ser utilizada pelas pessoas civis.

O uso da força seria permitido para conter a dissolução interna e se defender de uma agressão externa, para Weber.

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